Mateus 3:1–10 não inaugura uma religião nova; ele mergulha no coração profético de Israel. João surge como figura do deserto, da teshuvá e da expectativa escatológica judaica. Cada expressão carrega ecos do Tanakh e da tradição do Segundo Templo.
Introdução
O cenário é o deserto da Judeia. Não é palco acidental, mas o mesmo espaço simbólico onde Israel nasceu como povo. João aparece como um profeta clássico: conclamando ao arrependimento, citando Isaías e anunciando juízo iminente. O texto respira Tanakh, Mishná e expectativa messiânica judaica.
O cenário é o deserto da Judeia. Não é palco acidental, mas o mesmo espaço simbólico onde Israel nasceu como povo. João aparece como um profeta clássico: conclamando ao arrependimento, citando Isaías e anunciando juízo iminente. O texto respira Tanakh, Mishná e expectativa messiânica judaica.
Comentário da introdução – Mateus 3:1
“Naqueles dias” (ἐν ταῖς ἡμέραις ἐκείναις) é fórmula típica profética. No Tanakh, בַּיָּמִים הָהֵם (bayamim hahem) aparece em contextos de intervenção histórica de D-us (Juízes 17:6; Jeremias 31:29). Mateus usa linguagem profética, não jornalística. Ele posiciona João dentro do fluxo escatológico de Israel.
“Naqueles dias” (ἐν ταῖς ἡμέραις ἐκείναις) é fórmula típica profética. No Tanakh, בַּיָּמִים הָהֵם (bayamim hahem) aparece em contextos de intervenção histórica de D-us (Juízes 17:6; Jeremias 31:29). Mateus usa linguagem profética, não jornalística. Ele posiciona João dentro do fluxo escatológico de Israel.
João é chamado “Batista”. Em hebraico, יוֹחָנָן הַמַּטְבִּיל (Yoḥanan haMatbil), “João, o que imerge”. A raiz טבל (ṭ-b-l) significa mergulhar. No período do Segundo Templo, imersão ritual (mikveh, מקוה) já era prática haláchica para purificação (Mishná Mikvaot 1:1). Logo, não é invenção cristã, mas prática judaica.
Versículo que prova a conexão com o Tanakh
Mateus 3:3 cita Isaías 40:3: קוֹל קוֹרֵא בַּמִּדְבָּר פַּנּוּ דֶּרֶךְ יהוה.
A “voz no deserto” já estava nas Escrituras Hebraicas. O contexto de Isaías é consolação e redenção pós-exílio. João aplica esse texto à sua geração, dentro da hermenêutica judaica do Pardes focando a interpretação profética.
Mateus 3:3 cita Isaías 40:3: קוֹל קוֹרֵא בַּמִּדְבָּר פַּנּוּ דֶּרֶךְ יהוה.
A “voz no deserto” já estava nas Escrituras Hebraicas. O contexto de Isaías é consolação e redenção pós-exílio. João aplica esse texto à sua geração, dentro da hermenêutica judaica do Pardes focando a interpretação profética.
Comentário talmúdico
O Talmude associa Isaías 40 à redenção final (Berakhot 34b). A preparação do caminho é ligada à teshuvá coletiva antes da geulá (redenção). Rashi em Isaías 40:3 explica que é metáfora para remover obstáculos espirituais. Não é sobre construir estrada literal, mas alinhar o coração.
O Talmude associa Isaías 40 à redenção final (Berakhot 34b). A preparação do caminho é ligada à teshuvá coletiva antes da geulá (redenção). Rashi em Isaías 40:3 explica que é metáfora para remover obstáculos espirituais. Não é sobre construir estrada literal, mas alinhar o coração.
O “Reino dos Céus”
מַלְכוּת שָׁמַיִם (Malchut Shamayim) É expressão rabínica clássica. A Mishná Berakhot 2:2 fala em “aceitar sobre si o jugo do Reino dos Céus” (קבלת עול מלכות שמים). João não inventa conceito novo; ele anuncia a iminência da soberania manifesta de D-us na história. Alguns afirmam que “Preparai o caminho de Adonai” provaria que Yeshua é o próprio D-us em sentido ontológico. No contexto judaico, “preparar o caminho de YHWH” significa preparar o povo para a ação salvífica de D-us. No Tanakh, agentes humanos podem agir “em nome de YHWH” sem serem ontologicamente o próprio D-us (Êxodo 23:20–21; conceito de shaliach, שליח). O princípio talmúdico “שלוחו של אדם כמותו” (Kiddushin 41b) mostra que o enviado representa plenamente quem o envia sem ser idêntico a ele.
conforme o que está escrito em bessorah de Yochanan (Evangelho de João) 13.16 "Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o Enviou. João 13:16. Muitos Cristãos forçam o texto para encaixar a teologia romana, mas a verdade não está em Roma está em Jerusalém.
מַלְכוּת שָׁמַיִם (Malchut Shamayim) É expressão rabínica clássica. A Mishná Berakhot 2:2 fala em “aceitar sobre si o jugo do Reino dos Céus” (קבלת עול מלכות שמים). João não inventa conceito novo; ele anuncia a iminência da soberania manifesta de D-us na história. Alguns afirmam que “Preparai o caminho de Adonai” provaria que Yeshua é o próprio D-us em sentido ontológico. No contexto judaico, “preparar o caminho de YHWH” significa preparar o povo para a ação salvífica de D-us. No Tanakh, agentes humanos podem agir “em nome de YHWH” sem serem ontologicamente o próprio D-us (Êxodo 23:20–21; conceito de shaliach, שליח). O princípio talmúdico “שלוחו של אדם כמותו” (Kiddushin 41b) mostra que o enviado representa plenamente quem o envia sem ser idêntico a ele.
conforme o que está escrito em bessorah de Yochanan (Evangelho de João) 13.16 "Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o Enviou. João 13:16. Muitos Cristãos forçam o texto para encaixar a teologia romana, mas a verdade não está em Roma está em Jerusalém.
Vestes e alimentação
João veste pelos de camelo e cinto de couro. Isso ecoa 2 Reis 1:8 sobre Elias: “homem vestido de pelos”. A tradição esperava Elias antes da redenção (Malaquias 3:23 [4:5]). Mas também esperava o Mesmo messias duas vezes Ben Yosef montado em um burrinho e sobre as nuvens Mashiach ben David, então, Yochanan vem na unção e poder de Elias, com as mesmas funções, e no futuro o Elias haverá de vir, antes da Vinda de Yeshua de Nazaré, O Nazareno e Belemita.
João veste pelos de camelo e cinto de couro. Isso ecoa 2 Reis 1:8 sobre Elias: “homem vestido de pelos”. A tradição esperava Elias antes da redenção (Malaquias 3:23 [4:5]). Mas também esperava o Mesmo messias duas vezes Ben Yosef montado em um burrinho e sobre as nuvens Mashiach ben David, então, Yochanan vem na unção e poder de Elias, com as mesmas funções, e no futuro o Elias haverá de vir, antes da Vinda de Yeshua de Nazaré, O Nazareno e Belemita.
Gafanhotos são kosher segundo Levítico 11:22. O Talmude (Chullin 65a) discute os sinais dos gafanhotos permitidos. Mel silvestre é permitido. Portanto, a descrição reforça fidelidade à Torá. Por isso, afirmamos que os Escritos nazarenos não é romano, é Judaico e escrito primeiramente para judeus e Gentios ou Ger prosélitos.
O batismo
A imersão no Jordão liga-se a purificação e renovação. Em Qumran, a comunidade praticava imersões frequentes ligadas à teshuvá (Regra da Comunidade 3:4–9). A Mishná Yoma 8:9 ensina que arrependimento é condição para expiação. João une imersão e confissão — prática judaica.
A imersão no Jordão liga-se a purificação e renovação. Em Qumran, a comunidade praticava imersões frequentes ligadas à teshuvá (Regra da Comunidade 3:4–9). A Mishná Yoma 8:9 ensina que arrependimento é condição para expiação. João une imersão e confissão — prática judaica.
2 – Frutos dignos de arrependimento
Mateus 3:8: “Produzi frutos dignos de arrependimento.” não é uma frase isolada. É um eco direto da tradição profética e rabínica sobre arrependimento real. João não pede emoção religiosa, mas transformação prática. O conceito está enraizado no Tanakh e desenvolvido no Talmude. A palavra “fruto” já era metáfora comum para caráter e obras no Tanakh. Falar de Frutos é falar de ações e boas obras, é um chamado a teshuvah interna não externa. Por isso ele repreender os líderes que queria somente fazer uma aparição politica ou formal, de forma externa, para fazer teshuvah real. Portanto, João está dentro da linguagem profética clássica.
Mateus 3:8: “Produzi frutos dignos de arrependimento.” não é uma frase isolada. É um eco direto da tradição profética e rabínica sobre arrependimento real. João não pede emoção religiosa, mas transformação prática. O conceito está enraizado no Tanakh e desenvolvido no Talmude. A palavra “fruto” já era metáfora comum para caráter e obras no Tanakh. Falar de Frutos é falar de ações e boas obras, é um chamado a teshuvah interna não externa. Por isso ele repreender os líderes que queria somente fazer uma aparição politica ou formal, de forma externa, para fazer teshuvah real. Portanto, João está dentro da linguagem profética clássica.
Versículo do Tanakh
Oséias 14:2–3 chama Israel à teshuvá acompanhada de palavras e mudança prática.
Rashi comenta que “tomar palavras” significa confissão verbal e compromisso de mudança. Não é rito vazio; é retorno concreto.
Oséias 14:2–3 chama Israel à teshuvá acompanhada de palavras e mudança prática.
Rashi comenta que “tomar palavras” significa confissão verbal e compromisso de mudança. Não é rito vazio; é retorno concreto.
Ibn Ezra explica que a teshuvá exige abandono real do pecado, não apenas discurso.
Aqui vemos o padrão:
Reconhecimento verbal.
Mudança prática.
Restauração da aliança.
João está ecoando exatamente isso.
Comentário talmúdico
Yoma 86b ensina que teshuvá verdadeira transforma pecados deliberados em méritos quando há mudança real. Fruto não é emoção, é transformação ética e moral.
Comentário talmúdico
Yoma 86b ensina que teshuvá verdadeira transforma pecados deliberados em méritos quando há mudança real. Fruto não é emoção, é transformação ética e moral.
3 - Filhos de Abraão? A Ilusão da Segurança Genealógica
“Temos por pai Abraão” Mateus 3:9 confronta uma confiança espiritual baseada apenas na descendência física. João não nega o mérito dos patriarcas, mas rejeita a ideia de imunidade automática. O debate já existia no Tanakh e no Talmude. Usaram essa desculpa como refutação em João o Imersor e foram refutados e posteriormente com Yeshua e foram refutados em João 8.32-42 Yeshua deixa bem claro se são descendência de Abraão pratiquem as obras de Abraão, mas vocês tentam me matar, eu homem, que digo a verdade, se Deus é vosso Pai me amariam, pois Deus me enviou, ou seja, quem envia é maior.
“Temos por pai Abraão” Mateus 3:9 confronta uma confiança espiritual baseada apenas na descendência física. João não nega o mérito dos patriarcas, mas rejeita a ideia de imunidade automática. O debate já existia no Tanakh e no Talmude. Usaram essa desculpa como refutação em João o Imersor e foram refutados e posteriormente com Yeshua e foram refutados em João 8.32-42 Yeshua deixa bem claro se são descendência de Abraão pratiquem as obras de Abraão, mas vocês tentam me matar, eu homem, que digo a verdade, se Deus é vosso Pai me amariam, pois Deus me enviou, ou seja, quem envia é maior.
Quando João diz: “Não comeceis a dizer: Temos por pai a Abraão”, ele toca num nervo central da identidade judaica. Abraão é o pai da fé, o primeiro da aliança. Mas será que a linhagem garante salvação? Essa pergunta já estava viva nos profetas séculos antes.
Versículo do Tanakh
Ezequiel 33:12 afirma que a justiça do justo não o salvará se ele se desviar.
O princípio aqui é responsabilidade individual contínua.
Rashi comenta que o mérito passado não protege quem abandona o caminho. Ibn Ezra reforça que a aliança exige fidelidade presente. A lógica profética é devastadora para qualquer confiança automática.
Ezequiel 33:12 afirma que a justiça do justo não o salvará se ele se desviar.
O princípio aqui é responsabilidade individual contínua.
Rashi comenta que o mérito passado não protege quem abandona o caminho. Ibn Ezra reforça que a aliança exige fidelidade presente. A lógica profética é devastadora para qualquer confiança automática.
Comentário talmúdico
Sanhedrin 90a discute mérito dos patriarcas (zechut avot), mas nunca como garantia automática para quem vive em pecado. João ecoa essa linha rabínica: descendência física não substitui fidelidade.
Sanhedrin 90a discute mérito dos patriarcas (zechut avot), mas nunca como garantia automática para quem vive em pecado. João ecoa essa linha rabínica: descendência física não substitui fidelidade.
4 – O machado à raiz e o Fogo
Mateus 3:10 usa metáforas clássicas do Tanakh: árvore, machado e fogo. João fala dentro da tradição profética de julgamento iminente. O tema atravessa Isaías, Malaquias, literatura do Segundo Templo e o próprio Talmude.
Quando João o Imersor declara que o machado já está à raiz das árvores, ele não está descrevendo um processo agrícola. Ele está anunciando visitação divina. A metáfora é conhecida em Israel: D-us examina a árvore e avalia o fruto. A raiz representa identidade; o fruto representa fidelidade.
Quando João o Imersor declara que o machado já está à raiz das árvores, ele não está descrevendo um processo agrícola. Ele está anunciando visitação divina. A metáfora é conhecida em Israel: D-us examina a árvore e avalia o fruto. A raiz representa identidade; o fruto representa fidelidade.
Comentário: “Já está posto o machado à raiz das árvores.”
A imagem é radical. Não está nos galhos. Está na raiz. Isso indica julgamento estrutural, não superficial.
No Tanakh, árvore representa pessoa ou nação.
Como no Salmo 1 descreve o justo como árvore frutífera. E em Jeremias 17:5–8 contrasta árvore seca e árvore junto às águas. As águas é a palavra a torah e o machado intica o julgamento, se não praticamos a torah seriamos pecadores, e o julgamento seria justo, João o imersor está falando justamente que Yeshua ensinaria a torah e faria julgamento não por ele ser juíz, e sim por anunciar a verdade [Torah] e ela ser rejeitada.
Como no Salmo 1 descreve o justo como árvore frutífera. E em Jeremias 17:5–8 contrasta árvore seca e árvore junto às águas. As águas é a palavra a torah e o machado intica o julgamento, se não praticamos a torah seriamos pecadores, e o julgamento seria justo, João o imersor está falando justamente que Yeshua ensinaria a torah e faria julgamento não por ele ser juíz, e sim por anunciar a verdade [Torah] e ela ser rejeitada.
Quando João fala de árvore que não produz fruto e é lançada ao fogo, ele está usando vocabulário totalmente bíblico de julgamento.
A. Juízo iminente
Isaías 10:33–34 fala de árvores cortadas como símbolo de julgamento.
Isaías diz:
Isaías 10:33–34 fala de árvores cortadas como símbolo de julgamento.
Isaías diz:
Quando Isaías diz:
“Eis que o Senhor, Hashem dos Exércitos, cortará os ramos com violência…” (Isaías 10:33)
ele não está descrevendo lenhadores. Ele está descrevendo o momento em que Hashem intervém na história para quebrar arrogância que se tornou estrutural.
Rashi explica que as “árvores altas” são os poderosos que se elevaram com orgulho. Não apenas indivíduos isolados, mas sistemas inteiros sustentados por soberba. A árvore alta é a estrutura que parece intocável. O corte é a humilhação pública dessa falsa segurança.
Ibn Ezra vai na mesma linha, mas enfatiza o aspecto nacional: quando uma nação abandona justiça e se apoia em poder e vaidade, ela se torna como árvore grande demais para suas próprias raízes. O juízo não é irracional; é consequência.
Agora observe a sequência do próprio Isaías. O capítulo 10 termina com árvores sendo derrubadas. O capítulo 11 começa com um “renovo” que sai do tronco de Jessé.
Isso é profundo.
Hashem corta — mas não elimina a promessa.
Ele remove o que está corrompido — mas preserva a raiz legítima.
Ele remove o que está corrompido — mas preserva a raiz legítima.
A aliança não é destruída. Ela é purificada.
Quando João diz que “o machado já está posto à raiz”, ele intensifica a imagem. Isaías fala do corte das copas altas. João fala da raiz.
Raiz, no pensamento bíblico, é identidade. É fundamento. É aquilo que sustenta tudo.
Colocar o machado na raiz significa que o problema não é superficial. Não é comportamento externo apenas. É estrutura espiritual. É confiança equivocada. É identidade mal compreendida.
E aqui entra a urgência.
João não diz que o machado está sendo afiado.
Ele não diz que alguém está procurando uma árvore.
Ele diz que já está posto.
Ele não diz que alguém está procurando uma árvore.
Ele diz que já está posto.
Isso é linguagem de iminência escatológica.
No judaísmo do Segundo Templo, havia expectativa de visitação divina — um momento em que Hashem avaliaria Israel, separaria justos e ímpios e purificaria o povo antes da redenção final. A imagem do corte dialoga com essa expectativa.
Mas perceba algo muito importante: João não está dizendo que a aliança terminou. Ele está dizendo que a falsa segurança dentro da aliança será removida.
A árvore não é cortada por ser árvore de Israel.
Ela é cortada por não produzir fruto.
Ela é cortada por não produzir fruto.
Isso preserva a fidelidade de Hashem e mantém a responsabilidade humana intacta.
O machado na raiz comunica três coisas ao mesmo tempo:
O juízo é sério.
O problema é profundo.
O tempo é agora.
Não é ameaça teatral.
É chamado à coerência.
É chamado à coerência.
E, como em Isaías, depois do corte sempre há a esperança do renovo.
O juízo não é o fim da história.
É o caminho para que o verdadeiro ramo floresça.
É o caminho para que o verdadeiro ramo floresça.
B. Fogo como purificação
Malaquias 3:2–3 Malaquias diz:
“Ele é como fogo de ourives… assentará como refinador e purificador de prata.”
No hebraico:
כְּאֵשׁ מְצָרֵף וּכְבֹרִית מְכַבְּסִים
(ke’esh metzaref u’khevorit mekhabsim)
כְּאֵשׁ מְצָרֵף וּכְבֹרִית מְכַבְּסִים
(ke’esh metzaref u’khevorit mekhabsim)
O fogo aqui não é aniquilador. É refinador. Ele remove escória para revelar metal puro.
Rashi comenta que o fogo simboliza provação que separa o justo do hipócrita. O objetivo é purificar os filhos de Levi, não destruí-los. Isso é essencial: no Tanakh, fogo pode significar dois movimentos distintos:
Purificação do fiel.
Consumo do rebelde persistente.
Depende da condição da “substância”.
Quando Yeshua fala em Mateus 25:46 sobre “castigo eterno” (κόλασιν αἰώνιον), ele está dentro da linguagem apocalíptica judaica baseada em Daniel 12:2:
“Uns para vida eterna, outros para vergonha e desprezo eterno.”
Essa dualidade já estava no Tanakh. Não nasce no período posterior.
Agora, sobre Geena.
No Talmude, Rosh Hashaná 17a ensina que a maioria dos pecadores permanece na Geena por até doze meses e depois sobe. Mas há categorias específicas que não sobem — os chamados minim, apóstatas deliberados e destruidores da comunidade. Yeshua trata os do castigo Eterno como os que não sobem, como todos os pecadores que morrem em pecado. Indicando uma grande responsabilidade, indica que Yeshua não acreditava em reencarnação, como o Saadia Gaon rav posterior a Yeshua.
Sanhedrin 90a discute aqueles que “não têm parte no Olam Haba”. Isso mostra que o judaísmo rabínico já reconhecia gradações no juízo. Mas o Talmude ensina várias posições e quem ler decide qual seguir. A categoria de “ímpio completo” (רשע גמור) é mais específica do que simplesmente alguém que morreu falho. É alguém de falha continua sem arrependimento, que não se arrepende e morre em pecado.
Aqui precisamos ser cuidadosos.
Mateus 25 não define todos os que morrem com falhas como condenados eternamente. O contexto é julgamento baseado em postura moral contínua — especialmente injustiça contra o próximo. É um cenário escatológico de triagem final.
C. Escatologia judaica – Separação de justos e ímpios
Daniel 12:2 estabelece a base: ressurreição dupla — vida ou desprezo.
1 Enoque 90 descreve simbolicamente separação de ovelhas fiéis e infiéis. A literatura do Segundo Templo está cheia dessa expectativa de peneiramento final. Yeshua chama de ovelhas e bodes afirmando que conhecia essa literatura em Mateus 25:32-33.
Isso combina perfeitamente com a imagem de João:
árvore frutífera permanece.
árvore estéril é cortada.
árvore frutífera permanece.
árvore estéril é cortada.
Comentário talmúdico – Rosh Hashaná 16b
Ali aprendemos que, no julgamento anual, há três categorias:
A. Justos completos.
B. Ímpios completos.
C. Intermediários.
Os intermediários ficam “pendentes” até Yom Kippur.
Isso é muito interessante, porque mostra que o judaísmo clássico não opera com binarismo simplista durante a vida. Há processo, há tempo para teshuvá.
Mas no juízo final escatológico — discutido em Sanhedrin 90–92 — a separação é definitiva.
Avot 3:17 usa imagem agrícola para mostrar que sabedoria sem prática é estéril. A metáfora da árvore é recorrente na tradição judaica. A árvore representa a pessoa; o fruto representa suas ações.
Conectando tudo:
Malaquias → fogo que purifica o fiel.
Isaías → corte que remove o orgulhoso.
Daniel → separação eterna.
1 Enoque → julgamento escatológico simbólico.
Talmude → categorias de julgamento e possibilidade de exclusão do Olam Haba.
Mateus 3 → machado à raiz.
Mateus 25 → separação final.
Isaías → corte que remove o orgulhoso.
Daniel → separação eterna.
1 Enoque → julgamento escatológico simbólico.
Talmude → categorias de julgamento e possibilidade de exclusão do Olam Haba.
Mateus 3 → machado à raiz.
Mateus 25 → separação final.
Tudo está dentro da mesma matriz escatológica judaica.
Agora, um ponto teológico delicado:
O fogo não é automaticamente igual para todos.
Para o justo, é refinamento.
Para o rebelde persistente, é juízo.
O mesmo fogo, efeito diferente.
Agora, um ponto teológico delicado:
O fogo não é automaticamente igual para todos.
Para o justo, é refinamento.
Para o rebelde persistente, é juízo.
O mesmo fogo, efeito diferente.
Isso já está em Isaías 33:14–15:
“Quem de nós habitará com o fogo consumidor?”
Resposta: “O que anda em justiça.”
“Quem de nós habitará com o fogo consumidor?”
Resposta: “O que anda em justiça.”
O fogo de Hashem não é arbitrário. Ele revela.
Portanto, não podemos simplificar dizendo que “todo que morre em pecado é automaticamente condenado sem saída”. A tradição judaica sempre manteve espaço para teshuvá até o último momento e reconheceu graus de responsabilidade.
O que João está anunciando não é fatalismo.
É urgência.
É urgência.
O que Yeshua descreve não é inovação estrangeira.
É continuidade da escatologia de Daniel.
É continuidade da escatologia de Daniel.
O que o Talmude sistematiza não contradiz isso.
Ele detalha categorias dentro do mesmo quadro.
Ele detalha categorias dentro do mesmo quadro.
O machado, o fogo e a separação são imagens coerentes dentro do judaísmo bíblico e do Segundo Templo.
O centro permanece o mesmo:
Hashem julga com justiça.
A teshuvá é a chave.
O fruto revela a raiz.
Hashem julga com justiça.
A teshuvá é a chave.
O fruto revela a raiz.
Conclusão
Mateus 3:1–10 está saturado de linguagem, símbolos e expectativas judaicas. João é profeta no molde de Elias, chama à teshuvá conforme a Mishná, usa mikveh conforme a halachá, anuncia Malchut Shamayim como os rabinos, e cita Isaías dentro do método interpretativo judaico. Nada aqui é ruptura com Israel; é continuidade profética.
Mateus 3:1–10 está saturado de linguagem, símbolos e expectativas judaicas. João é profeta no molde de Elias, chama à teshuvá conforme a Mishná, usa mikveh conforme a halachá, anuncia Malchut Shamayim como os rabinos, e cita Isaías dentro do método interpretativo judaico. Nada aqui é ruptura com Israel; é continuidade profética.
Os Escritos Nazarenos não flutuam fora do Tanakh. Eles crescem do mesmo solo.
Por Rosh Wallace Oliveira, Judeu Nazareno


