João ele inicia com o Mashiach como a palavra revelada de sabedoria e de Torah antes da criação do mundo, os textos em grego e em hebraico mostram isso, mas não mostra no decorrer do evangelho uma ontologia e sim a obediência como Messias/Cristo.
Grego (Texto Majoritário) Ἐν ἀρχῇ ἦν ὁ λόγος…
Hebraico (Salkinson-Ginsburg)
בְּרֵאשִׁית הָיָה הַדָּבָר…
Transliteração:
Bereshít hayá haDavar.
Tradução literal: “No princípio existia o Davar.”
A abertura ecoa diretamente בְּרֵאשִׁית (Bereshit 1.1). João não está criando ontologia nova; está ativando memória textual. Que fala que Yeshua é as primícias dos que dormem vem da palavra reshit de bereshit, e ainda vem da mesma raiz de Rosh cabeça, por isso, fala antes de Gênesis 1.1.
(ו) בִּדְבַ֣ר יהוה שָׁמַ֣יִם נַעֲשׂ֑וּ וּבְר֥וּחַ פִּ֝֗יו כׇּל־צְבָאָֽם׃
(6)By the word of GOD the heavens were made,by the breath of God’s mouth, all their host.
“Pelo Davar de D-us foram feitos os céus.”
No período do Segundo Templo, essa linguagem já estava consolidada. João escreve dentro desse contexto cultural.
João 1.4–5:
(ג) וַיֹּ֥אמֶר אֱלֹהִ֖ים יְהִ֣י א֑וֹר וַֽיְהִי־אֽוֹר׃
(3) God said, “Let there be light”; and there was light.
(א) ק֥וּמִי א֖וֹרִי כִּ֣י בָ֣א אוֹרֵ֑ךְ וּכְב֥וֹד יהוה עָלַ֥יִךְ זָרָֽח׃
(1)Arise, shine, for your light has dawned;The Presence of GOD has shone upon you!
A luz, no pensamento judaico, é revelação e restauração futura.
João está usando linguagem escatológica judaica: a luz da criação reaparece na era messiânica. Além disso em Mateus fala que nos também somos luz, indicando que a luz brilha nas trevas pelo bom exemplo.
חַיִּים (Chayim
3.Vida como Aliança Viva
Ἐν αὐτῷ ζωὴ ἦν “Nele estava a vida.”
No horizonte judaico, “vida” nunca é conceito abstrato de imortalidade da alma, além de ser concreto da imortalidade. É Vida e fidelidade à aliança.
(יט) הַעִדֹ֨תִי בָכֶ֣ם הַיּוֹם֮ אֶת־הַשָּׁמַ֣יִם וְאֶת־הָאָ֒רֶץ֒ הַחַיִּ֤ים וְהַמָּ֙וֶת֙ נָתַ֣תִּי לְפָנֶ֔יךָ הַבְּרָכָ֖ה וְהַקְּלָלָ֑ה וּבָֽחַרְתָּ֙ בַּחַיִּ֔ים לְמַ֥עַן תִּֽחְיֶ֖ה אַתָּ֥ה וְזַרְעֶֽךָ׃
(19) I call heaven and earth to witness against you this day: I have put before you life and death, blessing and curse. Choose life—if you and your offspring would live—
Uvacharta bachayim — “Escolherás a vida.”
Escolher a vida é escolher a Torá. Não é metáfora poética; é decisão pactual.
Mishlei 3.18 chama a Torá:
עֵץ חַיִּים הִיא
Etz chayim hi — “Ela é árvore de vida.”
A Mishná em Avot 6.7 associa Torá à própria vitalidade do mundo. O Talmud (Berachot 61b) compara Israel sem Torá a peixe fora da água — sem vida.
Portanto, quando João afirma que “nele estava a vida”, ele está se movendo dentro da linguagem de Devarim: a revelação que conduz à obediência gera vida.
Não há ruptura com o Tanakh. Há continuidade da ideia de que a vida procede da revelação ativa de D-us incluindo a nos como luz e sal no Evangelho de Mateus, no sentido de bom exemplo e divulgação da Torah como palavra e do testemunho de Yeshua como luz da Torah na boca dele.
João 1.14:
“E vimos a sua glória.”
O termo ecoa Shemot 40.34:
וַיְכַס הֶעָנָן אֶת־אֹהֶל מוֹעֵד
“A nuvem cobriu a Tenda da Reunião.”
Ali, o כָּבוֹד não é essência metafísica. É manifestação perceptível da presença divina.
O Talmud (Yoma 21b) ensina que cinco coisas faltaram no Segundo Templo, entre elas a Shechiná manifesta como no primeiro. Isso criou expectativa escatológica de retorno do kavod.
Yeshayahu 60.1 declara:
וּכְבוֹד יהוה עָלַיִךְ זָרָח
“A glória de D-us nasceu sobre ti.”
Quando João afirma que “vimos a sua glória”, ele está dialogando com essa esperança: a presença voltou a se manifestar através de Mashiach.
Ele descreve manifestação histórica, não definição ontológica da essência divina.
No judaísmo, kavod é revelação visível da ação de D-us — nunca fragmentação da divindade.
“O Pai é maior do que eu.”
Avi gadol mimeni.
“שלוחו של אדם כמותו” (Kiddushin 41b) — “O enviado de uma pessoa é como ela.”
– “Nada faço de mim mesmo” (Jo 8.28)
– “Não busco a minha própria vontade” (Jo 6.38)
– O Trono da Glória
“E foi-lhe dado domínio.”
O Filho recebe, o Pai concede.
– A vida está nele.
– A glória é vista.
– Ele obedece.
– Ele recebe autoridade.
– Ele devolve a glória ao Pai.
– Missão delegada.
– Glória concedida.
– Submissão ao Pai.
– Eleição pré-temporal
– Kavod concedido
– Autoridade delegada
ֱֶֶ
João 1.14 declara que ele estava “cheio de graça e verdade”.
Rav chesed ve’emet — “Abundante em misericórdia e fidelidade.”
Graça é o favor imerecido que tem mesmo antes do chamado NT, pois, Adão recebeu roupas sem merecer foi graça, verdade já fala da lei de uma profundidade maior, pois, a graça perdoa e capacita e a lei é a verdade que molda o caráter.
– Chesed renovado na história
– Chesed manifestado na era messiânica
“Todos os teus mandamentos são verdade.”
– Os atributos de D-us são chesed ve’emet.
– A manifestação messiânica expressa chesed ve’emet.
Glória (כָּבוֹד) — presença manifesta (Shemot 40.34).
Chesed veEmet — misericórdia que perdoa e preserva, sustentada pela verdade da Torá (Shemot 34.6–7; Tehilim 119.151).
Graça sobre graça — camadas históricas de fidelidade pactual.
Shemot 33.20 — “Não poderás ver Minha face.”
Devarim 4.12 — “Vistes nenhuma forma.”
Os profetas recebem visão simbólica.
O Mashiach é apresentado como revelador pleno da vontade do Pai.
– Dependente (Jo 5.19)
– Submisso (Jo 14.28: “O Pai é maior do que eu”)
2. Eliyahu (Malaquias 3.23)
3. O Profeta como Moshe (Dt 18.15)
Ele é apenas preparação.
– Servo sofredor (Yeshayahu 53.7)
– Oferta tamid diária
– Yeshayahu 11.2
– Yeshayahu 42.1
– Shemot 4.22 (Israel como filho)
– Bereshit 49.10
– Bamidbar 24.17
– Miqueias 5.2
– Rei de Israel
– Enviado dependente
– Ungido pelo Espírito
– Rei davídico
– Servo pactual
– Filho do Homem escatológico
Pactual
Messiânico
Escatológico


