Mateus 28.19 está plenamente atestado nos manuscritos gregos mais antigos e na tradição siríaca da Peshitta, não tendo evidência textual primitiva que omita a fórmula. A expressão “em nome” aparece no singular, preservando a unidade absoluta de D-us. A menção ao Pai, ao Filho e à Ruach HaKodesh deve ser entendida em categorias funcionais e revelacionais judaicas, não ontológicas. Dentro da visão judaico-nazarena, trata-se de autoridade delegada: o Pai como fonte, o Filho como Mashiach enviado e o Ruach como ação divina ativa. Assim, o texto permanece monoteísta e consistente com o Shemá.
Mateus 28.19 — Autenticidade Textual e Leitura Judaico-Nazarena da Fórmula Batismal
I – Introdução
O versículo em questão afirma:
> “Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.”
Este texto aparece no final do Evangelho segundo Evangelho de Mateus, compondo o chamado “mandato missionário”.
Do ponto de vista textual, a pergunta central é:
1. A fórmula tríplice está presente nos manuscritos mais antigos?
2. Como compreendê-la dentro de uma teologia judaico-nazarena, sem violar a unicidade absoluta de D-us (Dt 6.4)?
2. Como compreendê-la dentro de uma teologia judaico-nazarena, sem violar a unicidade absoluta de D-us (Dt 6.4)?
II – Problemática
1. Questão textual
Alguns afirmam que a fórmula “Pai, Filho e Espírito Santo” seria uma interpolação tardia, influenciada por debates teológicos posteriores.
Entretanto:
- O versículo está presente no Codex Sinaiticus (séc. IV).
- Está presente no Codex Vaticanus (séc. IV).
- Está presente no Codex Alexandrinus (séc. V).
- Aparece na tradição siríaca da Peshitta (séc. IV–V).
- É citado já no início do séc. II por Didachê 7.1, que menciona batismo “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.
- Está presente no Codex Vaticanus (séc. IV).
- Está presente no Codex Alexandrinus (séc. V).
- Aparece na tradição siríaca da Peshitta (séc. IV–V).
- É citado já no início do séc. II por Didachê 7.1, que menciona batismo “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.
Não há manuscrito grego antigo conhecido que omita essa fórmula. Portanto, do ponto de vista crítico-textual, o versículo é autêntico na tradição manuscrita disponível.
2. Problema teológico
A dificuldade surge quando a leitura é feita à luz da teologia trinitária posterior (Concílio de Niceia – 325 d.C., cerca de 290 anos após a ascensão de Yeshua).
O texto diz:
> “εἰς τὸ ὄνομα” — **no singular** (“em nome”, não “em nomes”).
Para o judaísmo, “Nome” (שֵׁם – *shem*) representa autoridade e revelação (cf. Êx 23.21; Dt 12.5).
Logo, a questão não é ontológica (três deuses ou três pessoas), mas funcional e revelacional.
III – Solução do Problema (Leitura Judaico-Nazarena)
1. “Em Nome” no singular
O texto grego usa **ὄνομα** (nome) no singular.
Isso preserva a unicidade.
Isso preserva a unicidade.
No Tanakh, agir “em nome” significa agir sob autoridade delegada (1Sm 17.45).
Não implica igualdade ontológica.
Não implica igualdade ontológica.
2. O Pai
No contexto judaico, “Pai” refere-se a D-us como fonte e origem (Dt 32.6; Is 63.16).
Nada aqui sugere multiplicidade divina.
Nada aqui sugere multiplicidade divina.
3. O Filho
“Filho” no pensamento hebraico é categoria funcional:
* Israel é “filho” (Êx 4.22).
* O rei davídico é “filho” (Sl 2.7).
* O justo é chamado filho (Sb 2.13).
* O rei davídico é “filho” (Sl 2.7).
* O justo é chamado filho (Sb 2.13).
Yeshua como Filho é o representante humano perfeito — o segundo Adam (Rm 5).
Ele é o Mashiach preexistente, o Adam Kadmon, mas não é o próprio D-us.
Ele é o Mashiach preexistente, o Adam Kadmon, mas não é o próprio D-us.
4. Espírito do Santo (רוּחַ הַקֹּדֶשׁ – *Ruach HaKodesh*)
No judaísmo do Segundo Templo, Ruach HaKodesh é:
* A ação profética de D-us
* A presença ativa divina
* A inspiração
* A presença ativa divina
* A inspiração
Nunca foi entendida como uma pessoa distinta da essência divina.
É o agir de D-us no mundo (Gn 1.2; Jl 2.28).
É o agir de D-us no mundo (Gn 1.2; Jl 2.28).
5. Estrutura Judaica Tripla
A estrutura tripla é comum na literatura judaica:
* D-us, Sua Palavra e Seu Espírito (Is 48.16).
* D-us, Sabedoria e Espírito (Pv 8).
* D-us, Shechiná e Ruach.
* D-us, Sabedoria e Espírito (Pv 8).
* D-us, Shechiná e Ruach.
Trata-se de formas de manifestação, não de divisões ontológicas.
Conclusão
1. **Textualmente**, Mateus 28.19 é autêntico nos manuscritos mais antigos e na Peshitta.
2. **Historicamente**, a leitura trinitária ontológica surge séculos depois, especialmente a partir de Niceia (325 d.C.).
3. Judaico-nazarenamente, o versículo significa:
2. **Historicamente**, a leitura trinitária ontológica surge séculos depois, especialmente a partir de Niceia (325 d.C.).
3. Judaico-nazarenamente, o versículo significa:
> Batizar sob a autoridade do D-us Pai, reconhecendo Yeshua como o Mashiach enviado, e vivendo sob a ação da Ruach HaKodesh.
Não é uma declaração metafísica de três pessoas coiguais, mas uma fórmula de autoridade messiânica dentro do monoteísmo hebraico. Mesmo porque nunca os apóstolos batizaram em nome de Trindade, mas em nome do Filho, Yeshua filho de Deus, filho de José.
Assim, o texto permanece íntegro, e sua interpretação deve respeitar o Shemá:
> “שְׁמַע יִשְׂרָאֵל יהוה אֱלֹהֵינוּ יהוה אֶחָד” — D-us é Um.
Por Rosh Wallace Oliveira
Por Rosh Wallace Oliveira


