Este estudo examina a expressão “Façamos o homem” (Gn 1.26) à luz das fontes judaicas mais antigas — Talmud, Midrash, Targumim e comentaristas clássicos — demonstrando como o plural divino sempre foi entendido dentro do monoteísmo bíblico. O objetivo é mostrar que a explicação já teve implicações séculos anteriores às formulações teológicas posteriores dos concílios romanos.
O que o estudo apresenta
Uma explicação acessível baseada na Torá, Talmud, Midrash e comentaristas clássicos mostrando:
D-us continua sendo absolutamente Um;
o plural expressa consulta e ensino de humildade;
a própria Bíblia explica o versículo imediatamente.
1. Gênero literário
Comentário bíblico (midrash) explicando a narrativa da criação por meio da tradição rabínica e da análise do próprio texto.
2. Estrutura e conteúdo principal
a) Profecia histórica
a) Profecia histórica
O ponto principal é observar algo simples:
D-us diz: “Façamos o homem” (plural).
Logo depois está escrito: “E D-us criou” (singular).
O próprio texto mostra quem age: somente D-us.
O Talmud declara:
Sanhedrin 38b — toda passagem usada para sugerir mais de um deus já traz sua resposta ao lado.
b) Explicação correta do plural (linguagem simples)
Não se trata de um colegiado jurídico votando, como um tribunal humano.
Na tradição judaica, a ideia é diferente:
👉 D-us é o Rei absoluto.
👉 Ele não precisa de autorização.
👉 Mas escolhe consultar Seu conselho celestial (anjos) como exemplo de humildade.
👉 Ele não precisa de autorização.
👉 Mas escolhe consultar Seu conselho celestial (anjos) como exemplo de humildade.
Rashi explica:
o homem seria semelhante aos anjos;
para evitar inveja celestial, D-us os inclui no anúncio da criação.
Ou seja:
não é decisão compartilhada — é anúncio diante da corte celestial.
Assim como um rei pode dizer:
“Vamos construir uma cidade”,
mesmo sendo ele sozinho quem decide.
mesmo sendo ele sozinho quem decide.
Base rabínica
Rashi (Gn 1.26) — D-us consulta os anjos para ensinar humildade.
Targum Jonathan — D-us falou aos anjos ministradores.
Bereshit Rabbah 8 — criação do homem ocorre após diálogo celestial.
Sanhedrin 38b — o singular seguinte elimina qualquer ideia de pluralidade divina.
3. Escatologia
Bereshit Rabbah liga a criação do homem ao propósito messiânico:
Gn 1.2 — espírito pairando
Is 11.2 — espírito sobre o Rei Messiânico.
A humanidade é criada visando o governo justo futuro sob o Mashiach.
4. Relação com os Escritos Nazarenos
Os Escritos Nazarenos mantêm o mesmo padrão bíblico:
autoridade vem de D-us;
mensageiros participam da missão;
mas a ação criadora e o poder final pertencem somente a D-us.
5. Importância histórica
Isso prova que:
judeus antigos nunca entenderam Gn 1.26 como múltiplos deuses;
a explicação já existia séculos antes dos concílios romanos;
o monoteísmo bíblico permaneceu intacto.
6. Por que não entrou no cânon do Tanakh
a) Pseudepigrafia
a) Pseudepigrafia
São comentários interpretativos, não profecia nova.
b) Desenvolvimento teológico posterior
Explicam a Torá, mas não acrescentam revelação.
c) Encerramento do período profético
O cânon já estava fechado após os últimos profetas.
d) Uso comunitário limitado
Serviam para ensino, não leitura pública canônica.
7. Status literário
Literatura midráshica e talmúdica: autoridade interpretativa, não Escritura.
Conclusão
O plural em Gênesis 1.26 não descreve vários deuses nem votação celestial.
Ele expressa:
o Rei do universo falando diante de Sua corte;
um ensino de humildade divina;
uma linguagem pedagógica preservada pela tradição judaica.
E a prova está no próprio texto:
D-us fala no plural, mas cria sozinho.
A Torá explica a si mesma.
Assinatura do estudo:
Façamos antes dos concílios romanos de Niceia — retornando à leitura hebraica original preservada pelos sábios de Israel.
Façamos antes dos concílios romanos de Niceia — retornando à leitura hebraica original preservada pelos sábios de Israel.
Por Rosh Wallace Oliveira.


